quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O conformismo de ser pobre

Olha, não sei se estes pensamentos me farão bem ou mal, só sei que meu jeito de encarar a vida entrou muito diferente em 2008.
Eu tenho questionado coisas que jamais imaginaria um dia tê-las pensado.
Talvez seja o tão falado amadurecimento.
A verdade é que ultimamente tenho dado menos importância pro dinheiro.
Isso pra mim sempre foi uma briga interna, pois sempre me matei de trabalhar não pra ficar rico, mas sim pra ficar milionário. Nunca sonhei em ter uma vidinha boa quando mais velho, com meu carro, casa, viagens. Sempre sonhei em morar numa cobertura, conhecer o mundo todo, ter um puta carro, ter meu nome nos jornais.
E dessa forma, acho que passei meus últimos 10 anos assim, vivendo numa correria sem fim em busca do dinheiro.
Trabalho, estudos, faculdades, contas, compras, trabalho, trabalho, trabalho.
Foi isso que vivi nos últimos 10 anos.
Não me lembrava da última vez que eu deitava a cabeça no travesseiro e pudesse dizer: estou tranquilo. Não tenho dívidas, meu salário dá e sobra, não tô precisando de comprar nada, não deveria estar trabalhando ao invés de descansar...
Enfim, trabalhava horas a fio, varava noites, pra depois gastar as horas de descanso me jogando em baladas, compras, e mais trabalho, pra pagar contas que nunca acabam, só crescem, porque quando elas estão acabando eu vou lá e faço contas ainda maiores.
Hoje já não sou a mesma coisa.
Sim, é recente essa mudança, mas sinto que se tornará intrínsceca da minha personalidade, um paradigma de vida.
Parece que 2008 vinha sendo preparado há anos pra se tornar "o ano mais importante da minha vida".
Eu até senti isso no final de 2007. Tudo estava uma merda, mas no meio de Dezembro, tudo começou a caminhar, como se Deus preparasse o terreno pra entrada do maravilhoso 2008.
Eu sinto que mudei nesse ano.
Hoje trabalho até menos do que deveria e aproveito mais eu mesmo.
Dívidas? Ixi, tenho de monte ainda. Mas não tô vivendo só pra elas. Tudo se acerta no final. Hoje vejo que elas podem acabar realmente. É só eu não fazer novas dívidas. Não preciso gastar tanto, por exemplo, em camisetas, em cuecas, em baladas, em drogas.
Gasto mais em coisas pra mim, e que revertem em mais calma, mais cabeça pra pensar, e me deixam mais próximos de ser alguém melhor. Comprei mais livros, vi mais filmes, li mais revistas, além de ter passeado mais, visto mais gente, entender mais as pessoas, olhado para mais coisas que eu não olhava antes.
Essa sensação, tomara, seja boa pra mim, pois por outro lado, posso apenas estar virando um acomodado de mão cheia.
E se estiver?
Qual o problema nisso?
Eu posso ser feliz assim.
Posso ser feliz sem ter a minha cobertura, sem ter meu carro de luxo.
Poderei aproveitar mais de mim mesmo, aproveitar mais dessa coisa tão boa que eu não conhecia, chamada "tempo livre".
Eu olho hoje pra trás e vejo: caralho, será que eu fiz tudo errado?
O que eu tenho hoje?
Nada!
Não tenho carro, alugo um apto, não tenho minha empresa, não tenho dinheiro guardado, não viajei, pago um monte de conta. Ah, eu tenho meu apartamento todinho mobiliado e decorado. É isso! Eu tenho um bem. Meus móveis e eletrodomésticos são um bem.
Ora... não me diga que você nunca viu um adolescente ao ser questionado o que ele pensa pro futuro dizer:
- Eu sonho um dia em ter todos meus móveis e eletrodomésticos.... Serei uma pessoa realizada.
Que merda...
É... realmente fiz tudo errado.
Ou não, como diria Caetano.
Talvez tudo que eu batalhei até hoje foi só mesmo pra comprar móveis e eletrodomésticos, e que muitas pessoas nem isso conseguiram, e que eu terei ainda que batalhar muito mais pra ter meu apto, uma poupança, um carro, viajar e fazer um monte de coisas...
Caramba.
Será que compensa mesmo?
Talvez eu não seria mais feliz trabalhando num empreguinho tranquilo, que não pagasse tanto, mas não me desse dor de cabeça, e que o pouco que eu ganhasse fosse suficiente pra eu me vestir, comer, e me divertir? E outra, talvez, se fosse assim, teria até sobrado grana pra eu já ter meu carro, ou até poderia estar dando entrada no meu apto.

E como eu conseguiria ter tido tudo isso?

Era só não ter vivido em função do dinheiro.
Era só não ter planejado meus dias em função do quanto ganharia no fim do mês.

Era só eu ter gostado mais de conviver comigo mesmo.
Eu teria sido um pobre muito feliz.

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