sábado, 5 de janeiro de 2008

My own Party Monster

Cara, cada vez tô mais de saco cheio de balada.
Pode parecer piada, vindo de mim, que saio todo fim de semana, mas uma coisa é verdade: tenho saído muito menos do que saía antes.
E por que?
Porque tô mesmo de saco cheio de balada.
Sempre as mesmas pessoas.
Sempre os mesmos lugares.
A música nunca é a mesma, digamos. O estilo sim, pois só vou em balada que toca o som que eu gosto, no caso, um house mais pesado, estilo tribal, dark, e progressivo (Aliás, acho este ainda é o único motivo que ainda me tem feito ir pra balada: ouvir as novidades de música pra eu baixar em casa).
Quando você é apenas mais um baladeiro, uma pessoa que sai todo fim de semana, bebe, beija, encontra amigos, dança, tudo fica muito menos enjoativo.
Mas quando você é alguém como eu, tudo se torna repetitivo, ensaiado, sempre o mesmo.
Você deve perguntar: "como assim alguém como eu?"
Bom, digamos que eu conheci as pessoas certas (ou erradas) na hora certa (ou errada).
Conheci muita gente popular do meio gay de são paulo, que abriram portas de muitas coisas. Não posso negar que até portas de trabalho foram abertas, mas a maioria foi mesmo de baladas.
São pouquíssimas as baladas gays que eu pago pra entrar. Conheço os donos pessoalmente, todos os promoters, todas as pessoas que de alguma forma viraram "referência" na noite gay paulistana. Custo aceitar isso, mas acabei virando uma certa referência também.
As pessoas sabem meu nome, ou já ouviram falar de mim de alguma forma.
E quando você chega na balada, sendo o que me tornei, você sempre encontra centenas de pessoas que conhece, e saí naquela função horrível e metódica de comprimentar todo mundo. Isso até me lembra uma cena de Party Monster, um filme que mostra o nascimento da cultura clubber nos Estados Unidos, onde Michael Alig, Macaulyn Culkin, aprende de James como ser fabuloso, como chegar na noite e ser alguém, comprimentar, olhar, circular, ser visto, ser fotografado. Tem até um guia aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Party_Monster
E isso é chato!
Você não consegue ter paz na balada! Não consegue curtir!
Eu não consigo mais curtir minha vibe. Se tomo uma bala, não consigo dançar, porque toda hora vem alguém te comprimentar, ou perguntar se você sabe onde está alguém, ou o que você tomou, ou se você sabe quem tem alguma coisa pra vender...
O pior de tudo tem sido os "amigos joão-bobo". Aqueles que caem em toda balada.
Sábado agora foi assim. Era aniversário de um amigo que adoro, e ele quis comemorar no sábado a noite e depois emendar num after no domingo de manhã. Passei a balada toda cuidando mais de amigos do que me divertindo.
Um ficou 3 horas na enfermaria. Tomou GHB demais. Ficava gritando de tesão, e mais ou menos parecido com esse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=cQ1YkUCQ1mI
Depois outro amigo passa mal. Mesma coisa, GHB. Acabou até me beijando.
Depois, já no after, mais um fica caindo no meio da pista. Tentava levar ele pra sentar mas ele não queria. Ele queria ficar ali, do meu lado, caindo no meio da pista, acabando com minha noite.
Essas e outras coisas tem me feito pensar muito mesmo se tá valendo a pena ir pra balada. Cada vez menos eu quero, e toda vez que vou, volto arrependido, com a certeza de que era melhor ter ficado em casa, fumando um, assistindo um filme.

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